Quando nossas paróquias falham em nos dar o que Cristo comunicou à Igreja

Imagem: pixy.org

Durante vários anos da minha adolescência eu frequentei paróquias bastante influenciadas pelos pensamentos revolucionários de católicos marxistas, ou em outras palavras, pela Teologia da Libertação. Primeiro eu não tinha opção, e segundo eu não tinha conhecimento e nem ideia do que isso significava. Depois que me mudei para uma grande cidade, passei a ter “mais opções” de paróquias para frequentar, foi quando fui pela primeira vez à uma missa tradicional (missa tridentina), que era um pouco distante de onde morava, mas onde ia ver a missa de domingo sempre que podia. Nesse ínterim descobri paróquias “medianas”, entre as tradicionais e as liberais, outras onde o Novus Ordo (ou missa nova) era celebrado sob padrões muito parecidos com os de paróquias onde se celebrava a missa tradicional, e frequentei uma comunidade baseada no movimento dos focolares e outra carismática.

Ou seja, tenho um pouco de bagagem com experiência em diferentes paróquias e seus diferentes, digamos, estilos. Posso falar com certo conhecimento de causa que uma paróquia ruim pode afetar bastante a nossa vida espiritual.

Antes de desenvolver isso, gostaria de deixar claro que não penso que você deve parar de frequentar a sua paróquia se ela não é uma boa paróquia, caso você não tenha opção de frequentar outra (como foi meu caso por muitos anos, e que agora voltou a ser, devido ao fato de viver em uma cidade com apenas uma ou duas paróquias), não acredito e nem defendo que a missa nova seja ruim em si mesma ou inválida, e não estou dizendo também que todas as pessoas deveriam pertencer a um único movimento ou estilo dentro da Igreja, pois acredito que Deus precisa de nós exatamente onde estamos, é lá que está a nossa vocação, e Ele possui objetivos com isso. Quero aqui, apenas ajudar a você a ver como paróquias ruins podem nos prejudicar, ainda que estejamos fazendo, ou tentando fazer, tudo do “jeito certo” em nossa caminhada espiritual.

O que são más paróquias?

Paróquias onde são ensinadas por suas autoridades coisas contrárias à Doutrina da Igreja, onde não se respeita a Liturgia, onde a fé e a devoção não são fomentados nos fiéis, onde se permite que almas se percam em nome do respeito humano disfarçado de amor.

Várias outras características de más paróquias poderiam ser citadas aqui, mas fico, por hora, com essas quatro, que são, ao meu ver e à minha experiência, as mais destacadas até para o mais leigo dos leigos.

Más paróquias nos afetam

Cristo deixou-nos uma Igreja por um motivo: somos fracos demais para irmos a Ele por nossa própria conta. Ele nos deixou a Igreja Católica, e deu ao seu primeiro líder o poder de ligar e desligar tudo entre ela e o céu. É por meio dela que vamos trilhando o caminho até chegarmos lá, Jesus não nos deu outra escolha.

Por causa disso, é essencial que essa Igreja cumpra com sua função de nos dar Cristo, de nos comunicar sua Vida, seus ensinamentos, o que Ele estabeleceu para o homem na terra, a fim de que um dia o homem possa chegar ao céu. E o que acontece quando alguns ramos desse corpo de Cristo, a Igreja, falha em nos comunicar todas essas coisas? As folhas desses ramos, nós os fiéis, ficamos insuficientemente nutridos, ainda que busquemos nutrientes por nossa conta própria. Sim, podemos ser fiéis, pessoas de muita oração, ou até residentes de altas moradas espirituais, a falta de uma comunidade que transmita a fé tal qual Cristo desejou, sempre será sentida.

Acredito que, se assim como eu, você não está em moradas espirituais lá muito avançadas, você entenderá do que falo aqui. Se essa é sua realidade, você sabe que você peleja dia e noite para não perder seu lugar na primeira morada e permanecer no castelo espiritual, e portanto você entende o quanto é dependente de uma boa Liturgia, das verdades que doem em você mas que te libertam, das devoções aos amigos de Deus, e de uma Doutrina sólida que te dá diretrizes claras e sem espaço para rodeios ou amenizações.

O nosso lugar como leigos

Buscar e valorizar todas essas coisas não é um luxo ou uma conduta de católicos que são santos e elevados, mas de católicos comuns que desejam ser santos e elevados. Que desejam ir para o céu.

Você não deve se conformar e permanecer para sempre parado em torno da impossibilidade de mudar, se essa é sua realidade. Se você entende tudo isso, que essas coisas não foram deixadas a nós como uma opção, mas como necessidades muito elementares, você deve imediatamente esticar o braço para agarrar aquilo que está ao seu alcance.

E o que isso significa? Diferentes coisas.

O caminho mais fácil é começar a frequentar paróquias que transmitam um Catolicismo mais fidedigno e parecido com as coisas que Cristo deixou, se isso é possível dentro da sua realidade. O caminho mais complicado é o trabalho cujos frutos só serão colhidos a longo prazo: oração persistente e trabalho ativo para mudar a paróquia onde você se encontra. Eu não vou dizer a você qual deles fazer, mas posso te garantir que qualquer esforço na direção de experienciar paróquias com uma Liturgia mais fiel às rubricas Católicas; que reconheçam e ensinem a Doutrina; que estejam em consonância com a sabedoria de dois mil anos da Igreja; que guardem com amor e forneçam os tesouros de devoção; será um esforço que acrescenterá muito à sua vida espiritual e à de muitas outras pessoas.

Minha amiga e meu amigo, a Igreja Católica não é um centro de convenções, e a expressão máxima de louvor e adoração à Deus não é um evento social onde você vai para encontrar pessoas que você gosta e relaxar ouvindo palavras que fazem você chorar. A Doutrina da Igreja não é uma mesa onde você se serve e escolhe apenas o que agrada o seu paladar. E não há nada de errado em reconhecer que essas coisas podem ser parte da realidade da paróquia que frequentamos.

Depois de vários anos tendo a oportunidade de frequentar boas paróquias, retornei a uma cidadezinha, onde existe apenas uma disponível, numa região profundamente marcada pelo legado da teologia da libertação. Deixar de frequentar os Sacramentos e estar em comunhão com os irmãos que Cristo me deu não é uma opção para mim, e nem para você. Eu não tenho escolha. Tenho, no entanto, a oportunidade de reconhecer o fato de que não é a experiência que gostaria de voltar a ter com a Fé Católica, mas é o tempo e lugar que o Senhor me deu para viver hoje, enquanto sussurra aos meus ouvidos espirituais que Ele não quer ideiais revolucionárias e espalhafatosas, Ele só quer sua Igreja de volta, e quer que nós também a desejemos.

 


Um comentário sobre “Quando nossas paróquias falham em nos dar o que Cristo comunicou à Igreja

  1. Roberta, hoje mais cedo estava meditando sobre isso. Ouço muito falar sobre os erros da Missa Nova e que só a Missa no rito extraordinário seria o certo e, por vim de pessoas que admiro muito enquanto católicos, sempre tomei isso por verdade. No entanto, hoje, lendo sobre o tópico intitulado “Missal Romano” do livro A Fé Explicada de Léo J. Trese, entendi um pouco mais sobre a nova Missa, sobre o emprego da língua vernácula, etc, e fiquei um tanto surpresa por ele não atacar esse “novo rito”, visto que sempre o achei tão sábio em suas colocações durante a leitura do livro. Parei para pensar o que me incomoda (obviamente, aquilo que eu creio que magoa Jesus) nas Missas que frequento: palmas, danças, ministros extraordinários (ministros da comunhão), comunhão na mão, a falta de orientação sobre as vestimentas dos fiéis, as músicas, padre que fica desrespeitando o Santo Sacrifício. Enfim, percebi que a Missa Nova em si, não é terrível como pintam; se fosse bem celebrada, seria outra história. Fui a primeira vez à uma Missa Tridentina a pouco tempo, fiquei encantada com o respeito e desejosa de sempre participar dela, porém isso foge um pouco da minha realidade. Terminando esse comentário gigante kkk: como eu poderia tentar melhorar a paróquia que frequento? Conversar com o padre? (Tenho pensado nisso). Eu realmente não sei por onde começar. Abraços, querida. Conheci esse blog a pouco tempo e tenho me encantado pelos textos. Que a Virgem Santa de guarde e te leve ao céu. (Perdoe os erros no texto, ainda sou muito nova na fé)

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