Amizades fundamentadas na fé

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No Batismo, recebemos de Deus três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC, 1813), estes dons nos são concedidos para que possamos agir como filhas de Deus e assim mereçamos a vida eterna.

Comumente, pode-se entender a fé como uma espécie de confiança no êxito de nossos planos. Talvez, você e eu já tenhamos usado a palavra fé nesse sentido, dizendo “tenho fé de que vou passar no vestibular”, “tenho fé de que vou conseguir um bom trabalho” ou outra coisa que possamos desejar.

No entanto, a fé é superior a qualquer bem temporal. Deus pode nos dar esses bens para que sirvam como meios na salvação da alma. A fé, porém, não é apenas um meio, mas o princípio da vida espiritual; por ela, abre-se a possibilidade de que conheçamos a Deus. Na verdade, “sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11, 6).

Podemos então, compreender a fé em seu significado mais simples: crer em Deus e nas verdades que Ele revelou por meio da Santa Igreja (CIC, 1814). Nesse sentido, a fé é um ato da inteligência que adere a uma verdade conhecida. Mas se quase nunca aprendemos “de primeira” as ciências terrenas, quanto mais os mistérios da doutrina católica. Portanto, precisamos de esforço para crescer na fé.

Certa vez, o Senhor comparou a fé a um grão de mostarda (cf. Mt 17, 20). Em outro momento, o grão de mostarda foi apresentado por Ele como símbolo do Reino de Deus (cf. Mc 4, 30-32). Tal semelhança entre as comparações nos mostra que a fé germinada faz crescer o Reino dentro de nós.

Em um post anterior, falamos sobre cultivar amizades. Aqui, ao tratar da fé, percebemos que ela também exige cultivo, a fim de aprendermos a viver próximas de Deus.

Mas, além disso, a fé pode ser uma ferramenta no relacionamento entre amigos. Ao final da parábola, o Evangelho diz que a semente de mostarda se torna a maior das hortaliças e estende seus galhos de modo que “as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra”. Esse trecho me faz pensar em quem podemos nos tornar pela fé. Embora eu mesma seja constantemente tentada a ser rude e egoísta, acredito que uma jovem de fé precisa aprender também a ser uma boa amiga, oferecendo compreensão e acolhimento àqueles que estão próximos dela.

À procura de companhia

Contudo, às vezes somos nós quem precisamos de ajuda. Nesses momentos, a Sagrada Escritura nos aconselha a ter critério ao escolher os amigos: “Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil” (Eclo 6, 6).

Precisamos de discernimento porque algumas pessoas nos influenciam para o mal. Diz São Paulo que “más companhias corrompem bons costumes” (1Cor 15, 33). Eu imaginava que ele se referia apenas à questão moral; quando li o capítulo em que o versículo está, fiquei surpresa. Na verdade, o apóstolo corrigia os que negavam a ressureição dos mortos. Toda a passagem é uma defesa da vida sobrenatural.

Não estamos em uma situação parecida? Muitos vivem apenas para aproveitar esta vida, como se não houvesse outra, dizendo “se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (1Cor 15, 32). Frequentemente, encontramo-nos em lugares onde impera o ateísmo prático, “no qual não se negam as verdades da fé ou os ritos religiosos, mas simplesmente se consideram irrelevantes para a existência quotidiana, destacadas da vida, inúteis” (Bento XVI, em Audiência Geral de 2012).

Nós também temos muitos conflitos e, às vezes, a indiferença é o caminho mais fácil a seguir. Nessas circunstâncias, deixar-se levar por quem não se importa com a fé pode ser muito prejudicial. Precisamos, ao contrário, estar mais próximas de pessoas que valorizam a doutrina da Igreja e, principalmente, a oração e a amizade com Deus, para que nós aprendamos a valorizá-las também.

No livro The Friendship Project (Projeto Amizade, em tradução livre), há algumas sugestões para nutrir amizades baseadas na fé. Todas elas exigem algum nível de coragem, mas acredito que os resultados serão gratificantes. Apresentaremos essas dicas, junto de algumas experiências pessoais, em nosso Instagram nos próximos dias (@amocacatolica). Esperamos você lá!

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2 comentários sobre “Amizades fundamentadas na fé

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