Mateus 11, 28

porque meu jugo é suave e meu fardo é leve.

-Acho que pela primeira vez em vários anos vou ter de novo um ponto de referência de estabilidade e segurança, depois de tanto tempo sem ter ideia de onde estaria vivendo no semestre seguinte. – Eu disse para o meu noivo, me referindo ao fato de que em breve estaremos juntos e unidos para sempre.

-Sim  -ele respondeu-  eu não faço ideia de como é viver como você, mas espero poder prover a estabilidade e a paz que você precisa.

E, de novo, minha mente começou a ir rapidamente de um pensamento a outro.

Eu sou uma pessoa inquieta. Tenho transtorno de ansiedade. Minha vida nos últimos seis anos tem sido a montanha-russa que uma vida universitária pode ser. Altos muito altos e baixos extremamente baixos. Por causa da faculdade em uma cidade diferente, saí de casa quanto tinha 17 anos. Praticamente me mudei de apartamento uma vez a cada ano, convivi com variados tipos de pessoas  -de católicas a ateias-  nos lugares onde morei, estudei e trabalhei. Me esforcei muito para dar conta de tudo. Cresci em vários aspectos. Minha fé amadureceu.

Eu me formei, e olho para tudo isso do outro lado. A inquietude se tornou um hábito! Agora, os fatores que me faziam tão inquieta não estão mais aqui, e eu continuo inquieta. Continuo em desesperada tentativa de encontrar um ponto de estabilidade para onde eu possa olhar e permanecer de pé em meio a vida. E eu não encontro. Não encontro onde procuro, pois o que estou inconscientemente procurando é algo no qual possa me agarrar nesse mundo.

C. S. Lewis, no livro O problema do sofrimento, escreveu:

A felicidade e segurança estáveis que todos almejamos nos são negadas por Deus pela própria natureza do mundo; mas alegria, prazer e diversão, Ele espalhou por toda parte. Jamais estamos seguros, mas temos muita alegria e algum êxtase. Não é difícil saber por quê. A segurança que desejamos nos ensinaria a descansar o coração neste mundo e seria um obstáculo à nossa volta a Deus.

O design humano não é adaptado para estar para sempre na Terra. Em certa medida, é bom que estejamos inquietas e não completamente confortáveis nesse mundo. É bom que o anseio por mais esteja sempre nos lembrando de que fomos feitas para uma realidade definitiva completamente diferente do que estamos vivendo agora. Quem nos criou colocou também em nós o anseio pela eternidade.

Quando falamos de descanso e segurança, no entanto, existe uma categoria superior destas coisas, que podem ser encontradas em Deus, ainda que estejamos na Terra. No capítulo 11 do Evangelho de Mateus, vamos ver o próprio Cristo falar:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve. (cf. Mt 11, 28-30)

No grego, língua mais provável na qual o Evangelho de Mateus foi escrito, a palavra jugo é escrita como “zugon”, que quer dizer junta, uma peça de madeira colocada sobre o pescoço de animais de carga, unindo-os, a fim de que possam compartilhar o peso colocado sobre eles.

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Quando Cristo nos convida a tomar o seu jugo, Ele nos chama a duas coisas principais: nos submetermos a Ele, o que é simbolizado pelo pescoço “preso” no seu jugo; e deixá-lo nos ajudar com o peso da nossa existência, que é simbolizado pelo jugo compartilhado com Ele. O descanso que Deus oferece para os cansados e oprimidos (ou sobrecarregados, em outras traduções), Ele diz, é para a alma. Outras referências ao descanso de Deus vão ser feitas por São Paulo nas suas cartas, todas se referindo a um descanso espiritual.

Davi escreve que quando suas tribulações eram muitas, as consolações do Senhor é que aliviavam sua alma. É sempre no sentido espiritual que Deus apresenta seu descanso. Quando alcançamos o descanso sobrenatural, nosso espírito se encontra em tal estado, que não importa o que acontece à nossa volta, ele está descansado, relaxado, imperturbável.

O aspecto de segurança que também podemos encontrar em Deus não é uma segurança que podemos prover. “Deus é minha fortaleza”; “O Senhor é minha cidadela”; “junto a mim estás”, escreve Davi. Ele demonstra estar em uma condição de segurança, mesmo em meio ao perigo e à ameaça que sua vida sofria quando perseguido por Saul. Todas as suas expressões de segurança fazem referência ao Senhor. O exterior era inseguro, ameaçador, mas Davi atinge a segurança sobrenatural que não pode ser encontrada nas circunstâncias ou na Terra.

Desejamos, e em certa medida estamos sempre buscando, descanso para os nossos corpos e segurança para nossas vidas terrenas. E no entanto Deus não nos poupa do cansaço do trabalho diário e da insegurança de viver em lugares onde poderíamos ser violentados a qualquer momento. Por quê? Essas categorias inferiores de descanso e segurança, como C. S. Lewis comenta, nos estimularia a nos agarrar à noção terrena daquelas coisas que, nele, temos em plenitude e que não vão acabar um dia. Um coração totalmente preenchido de coisas terrenas, e satisfeito com elas, não teria espaço para as coisas celestes.

O Senhor está trabalhando para forjar em nós seu próprio caráter, todos os dias, para que no fim sejamos parecidas com Ele. Seu descanso e segurança sobrenaturais, superiores ao descanso e segurança desse mundo, e às circunstâncias dele, nos ensinarão a repousar em Deus, e a não confiar no que passa.

Meu marido não pode prover a estabilidade pela qual anseio, o bairro seguro e um bom salário não podem te garantir a segurança que você procura, e o descanso para os nossos corpos não apagará a aflição das nossas almas cansadas por causa dos fardos da vida. Tomai dEle o jugo suave.

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