Um sinal de esperança

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Ontem assisti ao filme Como Eu Era Antes de Você. No enredo, Will é um rapaz bonito, atlético e bem-sucedido que sofre um acidente e fica tetraplégico. Por essa razão, ele vive cercado de amarguras, até que seus pais contratam a alegre e espontânea Louisa para ser sua cuidadora. Conforme os dois se conhecem melhor, tornam-se amigos e se apaixonam.

O grande problema é que Will está decidido a ir para uma clínica de suicídio assistido. Apesar de todo o amor e cuidado de Louisa, nada o faz desistir da ideia de acabar com a própria vida, porque os problemas de saúde o fazem sofrer; além disso, ele não aceita perder a independência que antes possuía. No fim da história, a escolha de Will é apresentada como um gesto de altruísmo, pois livrou Louisa do peso de cuidar dele e ainda lhe deixou uma herança.

O filme retrata bem o conceito de esperança da sociedade: a chance de viver com conforto e boas condições financeiras. É natural que seja assim, uma vez que, conforme o Catecismo da Igreja Católica, “a virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem” (CIC, 1818). Na Grécia Antiga, Aristóteles já havia percebido que a felicidade é a posse de coisas boas; entre elas, estão os artigos que suprem nossas necessidades biológicas, como alimento e roupas.

Portanto, é digno procurar meios para viver bem. A satisfação das necessidades naturais pode significar um empecilho a menos no desenvolvimento emocional e espiritual. Mas não podemos nos esquecer de que os bens terrenos são passageiros e, por isso, é arriscado confiarmos neles. Nossa esperança é vã se a colocamos em algo que pode ser perdido.

O que é a esperança?

No último post da série, falamos sobre a fé. Recordamos que essa virtude teologal não consiste apenas em acreditar que “tudo vai dar certo”, mas em saber que existe uma vida sobrenatural que dá sentido à que vivemos na Terra.

A verdadeira esperança é consequência de uma fé sólida. Em uma de suas homilias, pe. Paulo Ricardo definiu a esperança como uma “pressa em amar a Deus”, pois é a virtude intermediária entre a fé dos principiantes e a caridade, que é própria dos santos. A fé produz em nós a esperança da posse dos bens eternos: “a esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo […]” (CIC, 1817).

Um dos vícios opostos à esperança é o desespero. No filme, Will perdeu as esperanças de que a vida pudesse ter sentido novamente e, em um gesto de desespero, decidiu-se pelo suicídio assistido. Na verdade, ele já havia tentado o autoextermínio sozinho, e Louisa fora contratada para impedir que isso acontecesse.

Mais que vigiar o rapaz, ela lhe deu alegria. No entanto, a obstinação de Will o impediu de experimentar a esperança oferecida pelo amor. O jovem insistiu ainda no segundo vício oposto à esperança, a presunção, pois achou que poderia resolver a situação sozinho, do modo como bem entendesse.

Fortalecendo a esperança

Na vida espiritual, também nós podemos nos desesperar, quando deixamos “[…] de esperar de Deus a salvação pessoal, os socorros para a atingir, ou o perdão dos seus pecados” (CIC, 2091). Podemos ainda nos tornar presunçosas, acreditando que alcançaremos a salvação por nossas próprias forças, sem a ajuda de Deus, ou esperando receber o perdão sem arrependimento (cf. CIC, 2092).

Se permitirmos, as pessoas que fazem parte de nossa vida, em especial os amigos mais próximos, serão sinais de esperança. Nos momentos de desespero, um gesto de bondade ou uma palavra de conforto podem mostrar que nem tudo está perdido. Mas como perceberemos estes pequenos traços, se não estivermos prestando atenção ou dispostas a vê-los?

Do mesmo modo, quando a presunção tomar conta, receber ajuda de alguém nos mostrará que não somos capazes de viver por conta própria e é bom ter alguém com quem contar. Se presumimos, porém, que nada precisa ser feito pelos outros, é necessário enxergar quantos precisam de alguém que lhes faça um ato de serviço.

Como, então, fortalecer a virtude da esperança por meio da amizade? Novamente, apresentamos algumas dicas retiradas do livro The Friendship Project (Projeto Amizade, tradução livre). Confira!

1. Participe de uma pastoral ou movimento que ajuda a trazer esperança, voltado aos doentes ou pobres, por exemplo.
2. Aproxime-se de alguém que está sofrendo ou passando por um momento difícil.
3. Peça ao Espírito Santo que lhe mostre quem Ele quer que sejam seus amigos.
4. Foque em ser um sinal de esperança: seja intencionalmente esperançosa e tente se livrar de seus hábitos negativos, como reclamar.
5. Compartilhe uma experiência de fé com um amigo que precisa de apoio, por meio de um santinho ou um versículo bíblico, entre outros modos.
6. Reze pedindo o crescimento da esperança em sua vida e na vida de seus amigos.

Nota: Deixamos claro que a intenção desde post não é condenar aqueles que já consideraram o suicídio. Pelo contrário, queremos mostrar que sempre há esperança. Se você precisa conversar, estamos à disposição! Recomendamos também a busca por ajuda profissional.

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